Seria produtivo ter uma pasta para filosofia?

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Seria produtivo ter uma pasta para filosofia?

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Re: Seria produtivo ter uma pasta para filosofia?

Mensagem por tiago em Seg Jul 08, 2013 8:04 pm

Estou lendo alguns livrinhos de uma tal coleção Figuras do Saber, da Estação Liberdade. Tenho que ler obra de apresentação antes de ler a fonte primária, então a resposta do tópico acho que é não Laughing 

tiago
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Re: Seria produtivo ter uma pasta para filosofia?

Mensagem por Mat em Seg Set 23, 2013 2:22 pm

Copiado do Idelber Avelar no Facebook:

De todas as facetas da personalidade de Borges, a mais inexplicável é a modéstia, porque ela combina: 1) o caráter de ser genuína, e quem leu Borges sabe que sua obra é coerente com a memorável frase “que outros se orgulhem das páginas que escreveram; eu me orgulho das que li”. Ele de verdade escreve como quem sabe que pode ser só um personagem, uma página qualquer na vasta selva dos livros; 2) o carácter de ser modéstia de alguém que não teria motivos para sê-lo, alguém que parece ter lido todos os livros.

Ricardo Piglia observa um dado notável, pouco mencionado. Do começo dos anos 20 aos anos 60, nos 40 anos que são o auge da sua criatividade, Borges não sai nenhuma vez da Argentina. Faz o que faz sem ir sequer uma vez à Europa, aos EUA ou a qualquer outro lugar fora do país. Monta o que monta só tendo acesso ao que havia nas livrarias de Buenos Aires.

O efeito biblioteca infinita, combinado com a modéstia de Borges, torna-se ainda mais insólito quando você se dá conta de que ele o produziu manejando uma coleção pequena de livros. Sim, um dos clichês mais equivocados sobre Borges é o da leitura infinita, do homem que leu tudo etc. O efeito “todos os livros do mundo” é produzido basicamente com recurso a:

1) meia dúzia de obras-primas (Quixote, Mil e uma Noites, Divina Comédia); 2) uma coleção de livros de introdução a correntes filosóficas (resumões de William James etc.); 3) um breve cânone de escritores pop de relatos curtos em inglês (Chesterton, Stevenson, Kipling); 4) resumões de mitologias, sagas nórdicas etc.; 5) algumas coisas da tradição argentina, em especial o Martín Fierro; 6) filósofos laterais, marginais, nunca centrais à tradição filosófica ocidental (ou seja, Berkeley, e não Hume ou Locke; Schopenhauer, não Kant ou Hegel; Zenão e Heráclito, em vez de Platão ou Aristóteles) e 7) as onipresentes enciclopédias [que Borges não consulta, mas *lê*], que eram -- quem foi pobre na América Latina em determinada época sabe disso -- leitura de pobre.

E não muito mais que isso.

Mas o mais incrível não é que o cabra produza o efeito biblioteca infinita com uma coleção bem limitada de livros. O mais incrível não é que, partindo desse material limitado, ele consiga ter as ideias mais brilhantes e originais. O assustador é outra coisa, e é a chave da modéstia de Borges.

Ao contrário das pessoas que mantêm postura ostentatória, e querem fazer crer que estão ensinando ao interlocutor algo que ele não sabe, Borges faz o contrário (notou Piglia): ele concebe as ideias mais geniais e as atribui aos outros. Nas conversas, lança um “como o Sr. ia dizendo” e logo depois completa com um formulação brilhante de que o outro jamais seria capaz. Nos textos, atribui a alguma citação obscura uma ideia que é genuinamente sua.

Borges não só inaugura o efeito biblioteca infinita com a pequena coleção de livros. Ele inaugura a atribuição ao outro de algo que foi invenção dele próprio, Borges: é o que poderíamos chamar plágio ao revés. É uma espécie de generosidade que consegue ser modesta, é muito bonito.
Deixem de noia.

Mat
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Re: Seria produtivo ter uma pasta para filosofia?

Mensagem por RafaelS em Seg Set 23, 2013 2:58 pm

Idelber Avelar não é argumento de autoridade. Discordo de várias coisas que ele falou aí. Principalmente em relação à dita "modéstia" do Borges.

Mas enfim.


Não entendi o seu ponto.

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Re: Seria produtivo ter uma pasta para filosofia?

Mensagem por Mat em Seg Set 23, 2013 5:32 pm

O meu ponto é que muitas vezes desprezamos esses livros de introdução, mas eles podem ser bastante reveladores.

Só postei porque o Tiago falou das "obras de apresentação" e pareceu preocupado com isso, não tive a intenção de polemizar, só mostrar que ele não está sozinho, mas enfim. E quem disse que Idelber é argumento de autoridade? Não disse isso, cara.

E eu acho que o Borges era sim bastante modesto, nas entrevistas ele sempre fez questão de deixar claro que "só leu Conrad" haha.

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Re: Seria produtivo ter uma pasta para filosofia?

Mensagem por RafaelS em Seg Set 23, 2013 6:03 pm

Não consigo confiar muito no Borges (o que não acho necessariamente ruim). Mas acho essa modéstia que ele prega aí é mais retórica que qualquer outra coisa - é só ver como as falas dele são sempre muito cuidadosas, muito calculadas (não é a toa que repete muitas vezes, não é a toa que ele se amarra em anedotas, histórias falsas e mentiras). Não é porque ele não é o hiper-erudito que a imagem (que ele mesmo criou) dele faz que ele é menos modesto. Mas isso é uma conversa longa. O Aira acho que tem um ensaio a respeito disso. Tá no fabuloso "Pequeno Manual de Procedimentos".

*

Sobre obras de apresentação: isso é todo um tema, mas não vamos pegar a exceção como regra. O Borges é um caso atípico, cérebro altamente filosófico, desde sempre que talvez até fosse podado se lesse mais filosofia. Mas ao mesmo tempo que ele é altamente filosófico talvez seja justamente o fato de ele não ter mergulhado mais nas obras (e ter ficado apenas com idéias vagas) que faça com que el seja o gênio que é, que faça com que ele seja de fato filosófico.

Mas de novo, ele era a exceção.

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Re: Seria produtivo ter uma pasta para filosofia?

Mensagem por Oric em Qui Jan 02, 2014 6:23 pm

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