Stendhal [Henri-Marie Beyle]

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por pablo.gramazio em Ter Fev 25, 2014 12:19 pm

O final me emocionou profundamente.

SPOILER:
Para mim, Julien se tornou um personagem tão interessante quanto Raskolnikov a partir do momento em que foi condenado à morte. Suas reflexões na prisão são brutais, interessantíssimas; me parece que muito por ele finalmente se ver livre das obrigações sociais que nortearam praticamente toda sua vida.

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por Becco em Qua Fev 26, 2014 8:02 am

Oric escreveu:Quanto ao cross: no começo até senti uma proximidade maior entre o Julien e o Raskolnikov, mas depois o afastamento é bem grande. Ao meu ver, se for comparar os personagens, Raskolinkov é muito mais interessante, complexo.

 cheers cheers cheers 

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por lavoura em Qua Fev 26, 2014 8:51 pm

Também senti essa queda. Tanto é que a leitura está parada por enquanto.

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por Mat em Qui Fev 27, 2014 1:48 pm



“O príncipe tinha às vezes medo e entediava-se com freqüência, o que o levara à sombria inveja; tinha consciência de que absolutamente não se divertia, e ficava taciturno quando acreditava ver que outros se divertiam; o aspecto da felicidade deixava-o furioso.”

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por pablo.gramazio em Qui Fev 27, 2014 2:11 pm

Mat escreveu:

“O príncipe tinha às vezes medo e entediava-se com freqüência, o que o levara à sombria inveja; tinha consciência de que absolutamente não se divertia, e ficava taciturno quando acreditava ver que outros se divertiam; o aspecto da felicidade deixava-o furioso.”

Interessante.

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por Jabá em Qui Fev 27, 2014 2:27 pm

lavoura escreveu:Também senti essa queda. Tanto é que a leitura está parada por enquanto.

Lavoura, essa queda não é motivo pra abandonar o livro. Ele começa ótimo e depois continua apenas bom. Retome a leitura imediatamente.

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por Mat em Sex Fev 28, 2014 9:17 am

Gente, que queda é essa que vocês estão falando? O vermelho e o negro é foda do início ao fim.

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por Mat em Sab Mar 08, 2014 12:15 am



Comecei a ler Armance, o primeiro romance de Stendhal. Ainda estou no capítulo 7, mas a trama já está bastante envolvente e organizada. O personagem principal, Octave, é um jovem desajustado e misantropo, que sofre do mal do babilanismo (impotência sexual). Ele é um sujeito taciturno e esquisito, vive em um isolamento quase doentio e parece indiferente às dores da civilização. Amante da leitura e das ciências, o rapaz não tem amigos e passa todo o seu tempo evitando qualquer tipo de contato humano.

“Muito espírito, uma estatura elevada, modos nobres, os grandes olhos negros mais belos do mundo teriam fixado o lugar de Octave entre os jovens mais distintos da sociedade, se algo de sombrio, impresso em olhos tão doces, não tivesse levado antes a lastimá-lo que a invejá-lo. Teria causado sensação se tivesse o hábito de falar; mas Octave nada desejava, nada parecia lhe causar dor ou prazer. [...] Talvez algum princípio singular, profundamente enraizado nesse jovem coração, e que se mostrava em contradição com os acontecimentos da vida real, tais como os que via se desenvolver ao seu redor, o levasse a se descrever com imagens muito sombrias, bem como sua vida futura e sua relação com os homens. Qualquer que fosse a causa de sua profunda melancolia, Octave parecia profundamente misantropo.” (STENDHAL, 1827, p. 25/6)

O que me fez brochar um pouco é o tom romântico e almofadinha do personagem, bem diferente de Julien Sorel, que, seguindo o conselho de Virgílio, vira os olhos e segue seu caminho. Octave sofre demasiadamente, ele repete sua dor TODO O TEMPO:

"Vejo os mais pobres, os mais limitados, os mais infelizes na aparência, jovens de minha idade, terem um ou dois amigos de infância com quem dividem alegrias e tristezas. À noite, vejo-os passear juntos, e dizerem tudo o que a eles interessa; somente eu encontro-me isolado na terra." (STENDHAL, 1827, p. 52/3)

A primeira parte do romance, que foi tudo o que li até agora, concentra-se bastante na exposição e dissecação da personalidade de Octave e as conversas com sua mãe, que sofre languidamente pelos descontentamentos do filho.

“ – Querido Octave, esse gosto singular é o efeito de sua paixão desordenada pelas ciências; seus estudos me fazem tremer; você acabará como o Fausto de Goethe. Você poderia jurar-me, como o fez domingo, que não lê apenas péssimos livros?

– Leio as obras que você me indicou, mãe querida, ao mesmo tempo que leio aquelas que são consideradas maus livros.

– Ah! Seu temperamento tem algo de misterioso e de sombrio que me faz estremecer; sabe Deus as consequências que você tira de tantas leituras!” (STENDHAL, 1827, p.32)

A mãe de Octave, ao que parece, desempenhará um papel importante na trama, pois ela representa o único contato que ele tem com a vida cotidiana (fora dos livros).

“Sinto nele algo de sobre-humano; ele vive como um ser à parte, separado dos outros homens” (STENDHAL, 1827, p.35)

Meu único prazer consiste em viver isolado e sem ninguém no mundo que tenha o direito de me dirigir a palavra.” (STENDHAL, 1827, p.32)

O rapaz só pensa em livros. Sua vida gira em torno da leitura. Sua mãe diz que ele "vai acabar como o Fausto de Goethe". Ninguém o entende e, durante várias passagens do romance, ouvimos vários comentário insidiosos sobre sua verdadeira natureza.  

“Dir-se-ia que suas paixões tinham origens alhures e não se apoiavam em nada existente aqui embaixo. Até mesmo a fisionomia tão nobre de Octave alarmava a mãe: seus olhos tão belos e tão ternos causavam-lhe terror. Pareciam algumas vezes olhar o céu e refletir a felicidade que viam ali. Um instante depois, liam-se neles os tormentos do inferno. [...] Quando você jogará no fogo, dizia-lhe, os livros desses homens tão tristes que somente você lê entre os jovens de sua idade?” (STENDHAL, 1827, p.35 - 74)
     
Armance, a personagem que deu título ao romance, é a mulher pela qual Octave se apaixona. Não sei o que vai acontecer daqui pra frente (  bounce ). Aguardem novidades.

----

Edit (1): Cheguei no capítulo 20 e o livro ta bem cabaço. O personagem é um bocó cheio de caráter e bondade, é de brochar. O livro tem aquela harmonia típica das obras do Stendhal: capítulos rápidos e sem toda aquela investigação rigorosa e minuciosa de alguns autores da literatura francesa. O problema mesmo está em Ocatve, que é cheio de travas morais e nunca pisa na cabeça de ninguém. Ele se apaixona por Armance, que é sua prima, mas não faz nada, apenas se lamenta por ser tão cuzão (sim, ele reconhece), observem:

"Com todo o orgulho de uma criança, em toda a minha vida não executei nenhuma ação de homem; e não somente minha própria infelicidade, mas levei ao abismo o ser do mundo que mais me era caro. Oh, céu! Como seria possível ser mais vil que eu?" A cabeça de Octave estava como que desorganizada por um calor incandescente. A cada passo dado por seu espírito, ele descobria uma nova nuança de infelicidade, uma nova razão para se desprezar. (STENDHAL, 1827, p.166)

Edit (2): Que grande merda de livro. Octave faz tudo o que não esperamos de um personagem do Stendhal, é decepcionante. O cara chegou ao nível máximo de bocozice da literatura francesa (e olha que Proust tem personagem bocó pra caralho). Achei que faltou mais boa vontade do Stendhal na criação do personagem (faltou mais maldade)  e na composição do arco dramático da história, ele deveria ter investido mais nos diálogos entre os dois amantes ou no sentimento de humilhação de Octave; isso criaria um clima mais sombrio no livro. A edição da Estação da Liberdade vem com uma carta do Stendhal no final. Destaco essa parte:

Em 2826, se a civilização continuar e se eu voltar à rua Dophot, eu contarei que Octave comprou um belo consolo-de-viúva português, de borracha elástica, o qual ele prendeu adequadamente à cintura, e com a qual, após ter propiciado um êxtase completo à sua esposa, e um êxtase quase completo, ele consumou corajosamente seu casamento.

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por Oric em Qui Mar 13, 2014 8:11 pm

Po, tinha olhado esse tópico duas vezes e esquecido de responder. Vamos lá:

1) O Vermelho e o Negro: tentando ser breve, acho que na primeira parte ele consegue mesclar melhor (perfeitamente, talvez) o desenvolvimento do Julien e suas aventuras amorosas com os comentários sobre a sociedade francesa na época, em especial a vida numa cidade pequena. Na segunda parte, que é a vida na capital, senti que o enfoque no Julien (em sua vida mais pessoal, digamos, até porque não é simples assim fazer essa separação) prejudicou aquele aspecto. Além disso achei o romancezinho meio nhé. Mas depois melhora novamente, como havia falado. O final dá o que pensar.

2) A Cartuxa de Parma: Você postou um trecho ali, terminou de ler?

3) Armance: bom post! Estava com esse livro na lista também. Achei a situação geral interessante (um personagem extremamente isolado, vivendo com os livros), mas pelo jeito peca no desenvolvimento -- embora não sei até que ponto me incomodaria com "faltar maldade". O trecho da carta é impagável. Laughing

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por Mat em Qui Mar 13, 2014 9:22 pm

Oric, eu gosto bastante das aventuras de Julien na capital. O romance inteiro faz uma dicotomia interessante entre metrópole e roça (lembro do Raymond Williams e seu O campo e a cidade, que ainda não li haha), além da transformação gradual (ou revelação?) do caráter do Julien quando ele chega na cidade e começa a conviver com as cobras parisienses. Achei o livro uma obra-prima do início ao fim, mas entendi o que você quis dizer.

Cartuxa de Parma já li tem um tempinho. É legal, mas apresenta justamente esse problema que você identifica no Vermelho e o negro: é um romance irregular. Começa muito bem (a descrição de Fabrício perdido na batalha de Waterloo é sublime), mas depois fica bem morno com algumas passagens interessantes (essa que postei é um exemplo).

E me decepcionei com Armance, cara. O romance realmente prometia. A história de um sujeito isolado que só pensa em livros é interessante, mas senti falta da febre stendhaliana if you know what i mean. Faltou MUITA coisa no livro. Octave é  cheio de caráter e bondade. O que se espera de um personagem do Stendhal é que ele pise na cabeça dos outros e aja só para satisfazer seus prórpios desejos, sacrificando qualquer coisa em nome de seus prazeres (exatamente como Julien faz), Ocatve é justamente o oposto disso, ele é um maria mole que ama a mãe. Enfim, achei bem ruim, MAS vale ler se você é fã do autor. Smile

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por Becco em Sex Mar 14, 2014 10:52 am

Babilanismo [ Laughing ] + Friendzone = só pode ser cabaço!

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por Oric em Sab Mar 15, 2014 2:42 pm

Acho que vou pegar o Cartuxa primeiramente (provavelmente ano que vem). Mais barato e parece ser melhor. Essa cena da batalha deve ser foda!

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

Mensagem por Jabá em Dom Mar 16, 2014 4:54 pm

Becco escreveu:Babilanismo [ Laughing ] + Friendzone = só pode ser cabaço!

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Re: Stendhal [Henri-Marie Beyle]

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