François Rabelais

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François Rabelais

Mensagem por Mat em Qua Jan 23, 2013 9:49 pm



Escritor, padre e médico francês do Renascimento, que usou, também, o pseudônimo Alcofribas Nasier (um anagrama de seu verdadeiro nome).Ficou para a posteridade como o autor das obras primas cómicas Pantagruel e Gargântua, que exploravam lendas populares, farsas, romances, bem como obras clássicas. O escatologismo é usado para condenação humorística. A exuberância da sua criatividade, do seu colorido e da sua variedade literária asseguram a sua popularidade.
Os detalhes da vida de Rabelais, são esparsos e de muito difícil interpretação. Foi um sacerdote de fraca vocação, erudito apaixonado pelo saber, de espírito ousado e com propensão para as novidades e para as reformas. Depois de aparentemente ter estudado Direito, tornou-se franciscano e iniciou os seus contatos com o movimento humanístico, trocou correspondência com G. Budé e com Erasmo de Roterdão.
Mais tarde mudou-se para o convento de Puy-Saint-Martin e a partir de 1521, ou talvez mais cedo, começou a receber ordens sacras. Depressa adquiriu fama de grande humanista junto dos seus contemporâneos, mas a sátira religiosa, o humor escatológico e as suas narrativas cómicas abriram-lhe o caminho para a perseguição. A sua vida estava dependente do poder de várias figuras públicas, nos tempos perigosos de intolerância que se viviam em França.
Por ordem da Sorbonne, viu confiscados os seus livros, tendo então passado para a ordem dos beneditinos. Interessa-se pelo Direito e sobretudo pela Medicina. Médico em Lyon, aí publica uma edição dos Aforismos de Hipócrates, Pantagruel, em 1532, seguido, em 1534, por Gargântua. A protecção do cardeal J. Du Bellay salva-o da repressão da Sorbonne que lhe condenara a obra.
Depois de receber a permissão para o abandono do hábito, obtém o doutoramento em Medicina. A publicação de Tiers Livre, em 1546, obriga-o a refugiar-se em Metz e a passar dois anos em Roma. Só com a protecção do cardeal J. Du Bellay lhe é assegurada uma existência mais calma. O Quart Livre, concluído em 1552 só foi publicado 11 anos após a sua morte.
Rabelais serviu-se da imaginação popular que herdara do espírito medieval, da estrutura narrativa das gestas, do estilo picaresco e da riqueza vocabular para versar alguns dos problemas mais decadentes do seu tempo, como a vivência religiosa, a administração da justiça ou a guerra justa.
Pretendeu libertar as pessoas da superstição e das interpretações adulteradas que a Idade Média alimentara, não indo embora contra o Evangelho nem contra o valor divino. A obra de Rabelais constitui uma das mais originais manifestações da crença do homem nas suas capacidades, simbolizadas pelo gigantismo das personagens. Inimigo da Idade Média, ataca o génio da cavalaria, a mania conquistadora, o espírito escolástico e sobretudo o sistema de educação. Rabelais renegou as tradições, a escolástica, o pedantismo monacal, a rotina dogmática da Universidade de Paris.
O ensaísta russo Bakhtin analisou a obra rabelaisiana em A Cultura Popular na Idade Média: o contexto de François Rabelais; também em "O cronotopo de Rabelais", em Questões de Literatura e de Estética.


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Re: François Rabelais

Mensagem por lavoura em Ter Abr 02, 2013 6:07 pm

Pô! Nem tinha visto o tópico do Rabelais.
Estou criando coragem para começar a ler o "Gargântua e Pantagruel". Tenho a edição da Itatiaia.

Esse da Ateliê é a mesma coisa,Mat?


É uma edição muito bonita.

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Re: François Rabelais

Mensagem por Mat em Ter Abr 02, 2013 8:52 pm

Lavoura, esse aí da Ateliê é só o "Terceiro livro". Não é completo. Forçando bem a barra, é como se fosse só um capítulo. A edição da Itatiaia é integral e vale bem a pena, vem com ilustrações do Doré.

Vá fundo no Gargântua e Pantagruel, Lavoura. É um livro MUITO, mas MUITO foda. Você vai dar risada pra caramba com os episódios. Depois, se o tópico render, vou postar uma resenha aqui.

Ps: Pynchon e Joyce chuparam muita coisa do Rabelais.

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Re: François Rabelais

Mensagem por lavoura em Ter Abr 02, 2013 9:24 pm

Pretendo começar em breve em breve mesmo. Só finalizar a leitura do "As cidades invisíveis e do "Os prisioneiros" do Fonseca e já começo.

É que vi essas edições da Ateliê e são muito bonitas. Capas duras e tal.
Mas a da Itatiaia também é bem FODA! Curti até o marrom da fonte.
As ilustrações também são coisa fina. Você já tinha comentado que o Pynchon tinha influência do Rabelais. Do Joyce desconhecia.

Vou ver se faço um diário de leitura aqui no tópico e a gente vai discutindo.

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Re: François Rabelais

Mensagem por Jabá em Ter Abr 02, 2013 9:36 pm

Mat escreveu:Lavoura, esse aí da Ateliê é só o "Terceiro livro". Não é completo. Forçando bem a barra, é como se fosse só um capítulo. A edição da Itatiaia é integral e vale bem a pena, vem com ilustrações do Doré.

Vá fundo no Gargântua e Pantagruel, Lavoura. É um livro MUITO, mas MUITO foda. Você vai dar risada pra caramba com os episódios. Depois, se o tópico render, vou postar uma resenha aqui.

Ps: Pynchon e Joyce chuparam muita coisa do Rabelais.

Mateus, use sua gargântua pra engolir meu pantagruel.

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Re: François Rabelais

Mensagem por Mat em Qua Abr 03, 2013 2:49 pm



Gargântua e Pantagruel livro escrito pelo padre, médico e escritor francês François Rabelais, trata dos episódios que envolvem a vida dos dois gigantes que dão nome ao livro. Respectivamente pai e filho, os gigantes representam tudo o que a classe alta francesa repudiava. O livro é uma ode contra o pensamente conservador cristão, contra todas as convenções medievais e contra a hipocrisia humana. Antecipando o pensamento de Montaigne e, ao longo do tempo, conquistando leitores famosos como James Joyce, Umberto Eco, Mikhail Bakhtin e Laurence Sterne, Rabelais está no panteão dos grandes autores da humanidade. Utilizando-se livremente das lendas populares medievais, das obras clássicas, do escatologismo, da glutonaria, do gigantismo, da medicina, da música, da poesia, do exagero e da exuberância, Rabelais escreveu o Gargântua e PantagruelUm livro que, apesar do tamanho considerável, não é difícil de ler, muito pelo contrário; sua escrita é simples, direta e divertida. As 944 páginas do livro são, talvez, as maiores provas da criatividade humana.

Graças aos estudos de medicina, Rabelais conhecia com propriedade todo o funcionamento do corpo humano e colocou na sua obra todo esse conhecimento. O leitor irá encontrar ricas e detalhadas descrições do funcionamento do aparelho digestivo, das atrividades excretícias e sexuais, além de um humor satírico que não perdoa ninguém e nada. Rabelais zomba da França e de seus costumes requintados, zomba de seus rios e florestas, de suas belezas naturais, de suas cidades, suas mulhres, zomba da tradição escolástica, da educação medieval, e, principalmente, da a rotina dogmática da Universidade de Paris [Quando vivo ele teve muitos problemas com os intelectuais da Sorbonne que odiavam sua escrita e faziam de tudo para que ele permanecesse na obscuridade. Rabelais foi uma espécie de ovelha negra na França medieval e todos os críticos e estudiosos de literatura da época achavam que seu humor era grosseiro e despropositado]. O papa classicou a obra de Rabelais como herética e era de opinião geral que a obcenidade de seu livro era deplorável.

O livro I trata das aventuras de Gargântua, o gigante que nasce pela orelha da mãe. Depois de comer grande quantidade de tripas, a mãe de Gargântua põe ele pra fora pela orelha:

"Pouco tempo depois, ela começou a suspirar, a se lamentar e a gritar. De súbito, apareceram parteiras de todos os lados. E, apalpando por baixo, encontraram aparas de pele, de muito mau cheiro, e pensaram que fosse o filho; mas eram os fundo que lhe escapavam, devido ao amolecimento do intestino grosso, por ter comido muito tripa, como dissemos acima. Então, uma horrível velha que lá se encontrava [...] aplicou-lhe um restringente tão terrível, que todas as peles ficaram tão apertadas e cerradas, que muito dificilmente, com os dentes, poderiam ser alargadas, o que é bem horrível de se pensar; mesmo assim, conseguiram alargá-la à maneira do diabo [...]. Por causa desse incoveniente, foram relaxados por cima os cotilédonos da matriz pelos quais passou o menino, e entrou na veia cava, trepando pelo diafragma até acima dos ombros, onde a dita veia se divide em duas, tomou caminho à esquerda e saiu pela orelha sinistra."

Ao contrário dos outros bebês, que quando nascem choram, Gargântua nasceu implorando por vinho. E gritou tão alto que toda a região ouviu. Seu pai então exclamou: "Que garganta a tua!" e os presentes concordaram que o garoto deveria se chamar Gagântua.
Depois Pantagruel, filho de Gargântua, domina a maior parte do livro e viaja por muitos lugares vivendo aventuras e dando continuidade ao livro. Pantagruel significa "tudo alterado". Ele é conhecido por sua alegria e vontade de viver. Como seu pai, tem um grande apetite e uma força descomunal [No folclore bretão, Pantagruel é o nome de um demônio que passava o tempo jogando sal na boca dos bêbado enquanto eles dormiam para dar-lhes sede e induzi-los a beber mais.]
O livro tem uma série de episódios engraçadíssimos e chocantes. Não dá pra citar tudo aqui. Mas, podem confiar, esse livro esbanja criatividade e riso.

Prefácio de Rabelais ao leitor:

Antes mesmo de ler, leitor amigo,
Despojaivos de toda má vontade.
Não escandalizeis, peço, comigo:
Aqui não há nem mal nem falsidade.
Se o mérito é pequeno, na verdade,
Outro intuito não tive, no entretanto,
A não ser rir, e fazer rir portanto,
Mesmo das aflições que nos consomem.
Muito mais vale o riso do que o pranto.
Ride, amigo, que rir é próprio do homem.

Leiam que é coisa fina. A edição da Itatiaia é muito boa. Apesar da capa feia, vem com ilustrações do Doré que enriquecem bastante a leitura. Vamos discutir tanto a obra quanto os livros teóricos sobre!


Última edição por Mat em Qua Abr 03, 2013 3:10 pm, editado 1 vez(es)

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Re: François Rabelais

Mensagem por lavoura em Qua Abr 03, 2013 3:06 pm

Oxê.
Bela resenha. Ao que tudo indica começarei a ler amanhã.
Gosto daquela ilustração do bebê segurando as vacas. Não sei se ele as usa como mamadeira.


Muito bela!

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Re: François Rabelais

Mensagem por Mat em Qua Abr 03, 2013 3:09 pm

Ele brinca com as vacas, lavoura.



Quero ler também. Já leu, velho? Tem vontade?

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Re: François Rabelais

Mensagem por lavoura em Qua Abr 03, 2013 3:12 pm

Eu já li a resenha, serve?
Mas lembro que achei bem interessante, porém para variar acabei deixando passar. Em uma daquelas promoções da Citylar com 30% de desconto, esse livro estava saindo por R$11,00!

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Re: François Rabelais

Mensagem por César em Qua Abr 03, 2013 3:14 pm

Essa editora Hucitec é um erro nível Martin Claret.


Última edição por César em Qua Abr 03, 2013 3:17 pm, editado 1 vez(es)

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Re: François Rabelais

Mensagem por Mat em Qua Abr 03, 2013 3:15 pm

Puta merda, 11 pila nesse livro? Bom demais, cara.

Sobre o Rabelais e a relação com Joyce eu li esse:



Coisa fina, pode comprar também, muito bom.

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Re: François Rabelais

Mensagem por Oric em Qua Abr 03, 2013 3:57 pm

Boa resenha, Mat. Esse livro entrou na lista de imperdíveis.

César escreveu:Essa editora Hucitec é um erro nível Martin Claret.

Sabia não, conte mais. Traduções porcas/plágio?

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Re: François Rabelais

Mensagem por César em Qua Abr 03, 2013 4:08 pm

Sim, essa tradução aí do Bakhtin é do francês, mas comercializavam como se fosse direta!

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Re: François Rabelais

Mensagem por RafaelS em Qua Abr 03, 2013 5:36 pm

A Hucitec não é tão ruim sempre. Ela tem uma tradução do Curtius com a Unesp acho, Literatura européia e idade média.

Também tem a Questões de estética do próprio Bakhtin que pela equipe de tradução parece ser do russo também (mas sei lá né, vai que é mentira).

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Re: François Rabelais

Mensagem por César em Qua Abr 03, 2013 6:22 pm

Vou procurar esse do Bakhtin, aquele que o Mateus falou é do francês.

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Re: François Rabelais

Mensagem por lavoura em Qua Abr 03, 2013 10:04 pm

Da Hucitec eu tenho o "O holocausto" do Martin Gilbert porém não me atentei quanto a tradução. Não sei se foi escritro em inglês ou em alemão. Bom pelo menos os avós do tradutor eram da alemanhã, já é alguma coisa,né?Laughing


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Re: François Rabelais

Mensagem por RafaelS em Qui Abr 04, 2013 1:03 am

É uma equipe de tradutores e a Aurora Fornoni Bernardine (escrevi certo?) é uma das tradutores, então imagino que nesse caso seja verdadeiro sim Razz

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Re: François Rabelais

Mensagem por Mat em Sex Abr 05, 2013 12:52 pm



O século XVI tem uma história repleta de eventos influentes e personagens marcantes, dos Grandes Descobrimentos à Reforma Protestante, de Leonardo da Vinci e Michelangelo a Shakespeare. Cada um deles mereceu muitos estudos e gerou várias polêmicas. Mas poucos livros são tão originais como este, pois o historiador Lucien Febvre não examina uma presença naquele momento, e sim uma ausência - a noção de descrença. O ponto de partida para essa análise refinada foi um estudo publicado em 1924 por um especialista na literatura do Renascimento, Abel Lefranc, para quem o escritor François Rabelais teria sido "ateu militante".
O caminho que Febvre segue para refutar essa ideia é demonstrar que Rabelais não poderia ter sido ateu pela simples (na verdade complexa) razão de que o século XVI desconhecia o conceito de descrença. Lefranc teria confundido a visão rabelaisiana do cristianismo, crítica em relação às instituições eclesiásticas e à multiplicação supersticiosa dos milagres, com ateísmo. A rigor, Rabelais é um cristão desiludido. Sua proposta é a volta aos preceitos evangélicos, e muita prece.
Como nota Febvre, não era fácil para um homem de então, por mais inconformista que fosse, romper com os usos e costumes dos grupos sociais de que fazia parte; é inegável a "religiosidade profunda da maior parte dos criadores do mundo moderno".

To doido pra ler.

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Re: François Rabelais

Mensagem por RafaelS em Sex Abr 05, 2013 12:56 pm

Capítulo do Auerbach sobre Rabelais é dos mais bonitos do Mímesis.

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Re: François Rabelais

Mensagem por Mat em Sex Abr 05, 2013 12:57 pm

Sabia que tua ia falar dele!

Ele escreve sobre o episódio que o narrador entra na boca de Pantagruel, né?

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Re: François Rabelais

Mensagem por lavoura em Sex Abr 05, 2013 1:01 pm

Comecei a ler ontem. Mas só li o prefácio que fala da vida do Acofribas Nasier.
Bem interessante a forma como o Rabelais contra argumentava. O pessoal fodia ele e ele satírizava no próximo livro.
Hoje é que realmente eu começo.

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Re: François Rabelais

Mensagem por César em Sex Abr 05, 2013 1:02 pm

lavoura escreveu:Comecei a ler ontem. Mas só li o prefácio que fala da vida do Acofribas Nasier.
Bem interessante a forma como o Rabelais contra argumentava. O pessoal fodia ele e ele satírizava no próximo livro.
Hoje é que realmente eu começo.
Cervantes faz muito isso no segundo Dom Quixote.

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Re: François Rabelais

Mensagem por Mat em Sex Abr 05, 2013 1:03 pm

É legal esse prefácio.

Acofribas Nasier é um anagrama de François Rabelais.

A Itatiaia tem aquele segundo volume falso do Dom Quixote.

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Re: François Rabelais

Mensagem por RafaelS em Sex Abr 05, 2013 1:04 pm

ahhaaha. pois é. É um ponto importante no livro :B

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Re: François Rabelais

Mensagem por lavoura em Sex Abr 05, 2013 1:23 pm

Pretendo ler esse ano ainda o segundo volume do Dom quixote. E talvez reler o primeiro ano que vem. As críticas são em relação ao volume falso lançado ?
Segue o mesmo estilo do primeiro, com aquelas histórias paralelas ? Aquilo é muito chato. Só a última que salva.


A Itatiaia tem uns títulos bem legais dessa coleção, só acho que se eles cagassem nas capas e limpassem com lixas ficariam mais bonitas doque as que eles escolheram. Mas mesmo assim o material de dentro do livro é muito bom, só poderia ser um pouco mais robusto a capa, porque ele é molengão.

E pela lista de livros parece valer a pena, aquele do John Milton , o de Fábulas do La Fontaine e uns outros que não recordo.

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Re: François Rabelais

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