Murilo Rubião

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Murilo Rubião

Mensagem por Gourmet em Sab Nov 12, 2011 12:21 pm



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Murilo Eugênio Rubião (Carmo de Minas, 1º de junho de 1916 — Belo Horizonte, 16 de setembro de 1991) foi um jornalista e escritor brasileiro.

Biografia

Murilo Eugênio Rubião nasceu em Carmo de Minas. Fez seus primeiros estudos em Conceição do Rio Verde e conclui-os depois em Belo Horizonte. Ingressou na Faculdade de Direito, formando-se em 1942. O jornalismo sempre o seduziu, tornou-se redator da Folha de Minas e diretor da Rádio Inconfidência. Em 1947, lançou seu primeiro livro de contos, O ex-mágico, que não teve maior repercussão na época. A partir de então, ingressou no mundo da política, sempre como assessor. Em 1951, ocupou a função de chefe de gabinete do governador Juscelino Kubitschek. Entre 1956 e 1961, exerceu o cargo de adido cultural do Brasil na Espanha. Em 1966 foi designado para organizar o Suplemento Literário do Diário Oficial MInas Gerais, que se tornou um dos melhores órgãos de imprensa cultural já surgidos no país. A publicação de O pirotécnico Zacarias, em 1974, deu súbita fama a Murilo Rubião. Nos anos subsequentes, a sua exígua obra passou a ser vista como a mais significativa manifestação da literatura fantástica no Brasil. Murilo Rubião influenciou diversos autores brasileiros, dentre eles, José J. Veiga e Moacyr Scliar.

No livro de registro de nascimento da matriz de Silvestre Ferraz, hoje Carmo de Minas, encontro, ao lado meu, os nomes de meus pais: Eugênio Alvares Rubião e Maria Antonieta Ferreira Rubião. 1916. Meu pai, homem de boa cultura humanística, era filólogo e pertenceu à Academia Mineira de Letras. Escrevia com rara elegância, a apesar de gramático. Dele herdei a timidez e um certo ar cerimonioso, que me tem privado da simpatia de numerosas pessoas. Algumas delas mulheres, o que é lamentável.

Em Belo Horizonte residi vinte e cinco anos. Alguns alegres, outros tristes. Lá pretendo morrer. No cemitério do Bonfim, se não for incômodo para os que me sobreviverem. Cursei grupo escolar, ginásio, Faculdade de Direito, e posso afIrmar, sem sombra de orgulho, que jamais fui primeiro aluno em qualquer disciplina. Como escritor, alcancei algum êxito na burocracia das letras. Três vezes presidente da Associação Brasileira de Escritores (Secção de Minas Gerais) e vice-presidente do I Congresso Brasileiro de Escritores.

Sete anos levei para escrever e publicar o meu primeiro livro "O Ex-Mágico". Nem por isso ele saiu melhor.

Comecei a ganhar a vida cedo. Trabalhei em uma baleira, vendi livros científicos, fui professor, jornalista, diretor de jornal e de uma estação de rádio. Hoje sou funcionário público.

Celibatário e sem crença religiosa. Duas graves lacunas do meu caráter. Alimento, contudo, sólida esperança de me converter ao catolicismo antes que a morte chegue.

Muito poderia contar das minhas preferências, da minha solidão, do meu sincero apreço pela espécie humana, da minha persistência em usar pouco cabelo e excessivos bigodes. Mas, o meu maior tédio é ainda falar sobre a minha própria pessoa.
— Murilo Rubião

Obras e crítica

O ex-mágico (1947)
A estrela vermelha (1953)
Os dragões e outros contos (1965)
O pirotécnico Zacarias (1974)
O convidado (1974)
A casa do girassol vermelho (1978)
O homem do boné cinzento e outras histórias (1990)
Contos reunidos (2005)

Quando Murilo Rubião estreou com O ex-mágico, um crítico apontou a semelhança dos contos que compunham o livro e certas obras de Franz Kafka, especificamente A metamorfose. Embora o autor mineiro não conhecesse, na ocasião, o autor tcheco, havia de fato alguns traços comuns que permitiriam incluí-los numa mesma família estética, a da literatura fantástica.

Entende-se por literatura fantástica (ou realismo fantástico) aquelas narrativas em que ocorrem fatos inconcebíveis, inexplicáveis, surreais e que produzem uma grande sensação de estranhamento nas pessoas. Normalmente, esta atmosfera de irrealidade tem uma dimensão alegórica, ou seja, por meio do absurdo e do inverossímil, ela alude à realidade concreta da existência, cabendo ao leitor escolher um sentido realista para eventos aparentemente sobrenaturais.

Todos os contos de Murilo Rubião trazem esta perspectiva que invalida a lógica e a racionalidade. Mas o absurdo das situações é apenas um artifício do escritor para questionar a realidade. Alguns de seus mais conhecidos contos apresentam – sob a forma de fantasias surrealistas – uma visão desencantada do homem. O ex-mágico é uma sátira à burocracia e à mesmice do cotidiano. Alfredo, uma fábula sobre a não aceitação das diferenças entre os seres. Os dragões, um minitratado sobre a corrupção humana. A noiva da casa azul, uma reflexão sobre a passagem do tempo e o caráter vão de todos os amores. O pirotécnico Zacarias, uma narrativa de humor negro a respeito da vacuidade e da fugacidade da existência. O convidado, uma aterradora alegoria da solidão dos seres e, talvez, da morte. Assim, de cada relato pode-se extrair um ou mais significados ocultos, o que indica a natureza aberta e polissêmica da obra de Murilo Rubião.

Um crítico viu nestes contos, especialmente a partir dos livros O pirotécnico Zacarias e O convidado a criação de um “mundo denso e fantasmagórico em que espectros alienados vivem num universo agoniante. Nele, o homem acaba sendo condenado à esterilidade pela própria incapacidade de modificar o mundo sem saída no qual convive.” (Jorge Schwartz). De fato, a exemplo do que ocorre na obra de Franz Kafka, o absurdo das histórias de Murilo Rubião é apenas uma metáfora do absurdo da condição humana. Apesar do ceticismo do autor, é grande literatura. De forma paradoxal, a linguagem usada para relatar estes acontecimentos surpreendentes é simples e clara.

Teleco, o coelhinho:

- Moço, me dá um cigarro?

A voz era sumida, quase um sussurro. Permaneci na mesma posição em que me encontrava, frente ao mar, absorvido com ridículas lembranças.

O importuno pedinte insistia:

- Moço, oh! moço! Moço, me dá um cigarro?

Ainda com os olhos fixos na praia, resmunguei:

- Vá embora, moleque, senão chamo a polícia.

- Está bem, moço.Não se zangue. E, por favor, saia da minha frente, que eu também gosto de ver o mar.

Exasperou-me a insolência de quem assim me tratava e virei-me, disposto a escorraçá-lo com um pontapé. Fui desarmado, entretanto. Diante de mim estava um coelhinho cinzento, a me interpelar delicadamente:

- Você não dá é porque não tem, não é, moço?

O seu jeito polido de dizer as coisas comoveu-me. Dei-lhe o cigarro e afastei-me para o lado, a fim de que melhor ele visse o oceano. Não fez nenhum gesto de agradecimento, mas já então conversávamos como velhos amigos. Ou, para ser mais exato, apenas o coelhinho falava. Contava-me acontecimentos extraordinários, aventuras tamanhas que o supus com mais idade do que realmente aparentava.

Ao fim da tarde, indaguei onde ele morava. Disse não ter morada certa. A rua era o seu pouso habitual. Foi nesse momento que reparei nos seus olhos. Olhos mansos e tristes. Deles me apiedei e convidei-o a residir comigo. A casa era grande e morava sozinho - acrescentei.

A explicação não o convenceu. Exigiu-me que revelasse minhas reais intenções:

- Por acaso, o senhor gosta de carne de coelho?

Não esperou pela resposta:

- Se gosta, pode procurar outro, porque a versatilidade é o meu fraco.

Dizendo isto, transformou-se numa girafa.

- À noite - prosseguiu - serei cobra ou pombo. Não lhe importará a companhia de alguém tão instável?

Respondi que não e fomos morar juntos.

Chamava-se Teleco.

Depois de uma convivência maior, descobri que a mania de metamorfosear-se em outros bichos era nele simples desejo de agradar ao próximo. Gostava de ser gentil com crianças e velhos, divertindo-os com hábeis malabarismos ou prestando-lhes ajuda. O mesmo cavalo que, pela manhã, galopava com a gurizada, à tardinha, em lento caminhar, conduzia anciãos ou inválidos às suas casas.

Não simpatizava com alguns vizinhos, entre eles o agiota e suas irmãs, aos quais costumava aparecer sob a pele de leão ou tigre. Assustava-os mais para nos divertir que por maldade. As vítimas assim não entendiam e se queixavam à polícia, que perdia o tempo ouvindo as denúncias. Jamais encontraram em nossa residência, vasculhada de cima a baixo, outro animal além do coelhinho. Os investigadores irritavam-se com os queixosos e ameaçavam prendê-los.

Apenas uma vez tive medo de que as travessuras do meu irrequieto companheiro nos valessem sérias complicações. Estava recebendo uma das costumeiras visitas do delegado, quando Teleco, movido por imprudente malícia, transformou-se repentinamente em porco-do-mato. A mudança e o retorno ao primitivo estado foram bastante rápidas para que o homem tivesse tempo de gritar. Mal abrira a boca, horrorizado, novamente tinha diante de si um pacífico coelho:

- O senhor viu o que eu vi?

Respondi, forçando uma cara inocente, que nada vira de anormal.

O homem olhou-me desconfiado, alisou a barba e, sem despedir, ganhou a porta da rua.

A mim também pregava-me peças. Se encontrava vazia a casa, já sabia que ele estava escondido em algum canto, dissimulado em algum pequeno animal. Ou mesmo no meu corpo, sob a forma de pulga, fugindo-me dos dedos, correndo pelas minhas costas. Quando começava a me impacientar e pedia-lhe que parasse com a brincadeira, não raro levava tremendo susto. Debaixo das minhas pernas crescera um bode que, em disparada, me transportava até o quintal. Em me enraivecia, prometia-lhe uma boa surra. Simulando arrependimento, Teleco dirigia-me palavras afetuosas e logo fazíamos as pazes.

No mais, era o amigo dócil, que nos encantava com inesperadas mágicas. Amava as cores e muitas vezes surgia transmudado em ave que possuía todas e de espécie totalmente desconhecida ou de raça extinta.

- Não existe pássaro assim!

- Sei. Mas seria insípido disfarçar-me somente em animais conhecidos.

O primeiro atrito grave que tive com Teleco ocorreu com um ano após nos conhecermos. Eu regressava da casa da minha cunhada Emi, com quem discutira asperamente sobre negócias de família. Vinha mal-humorado e a cena que deparei, ao abrir a porta da entrada, agravou minha irritação. De mãos dadas, sentados no sofá da sala de visitas, encontravam-se uma jovem mulher e um mofino canguru. As roupas dele eram mal talhadas, seus olhos se escondiam por trás de uns óculos de metal ordinário.

- O que deseja a senhora com esse horrendo animal? - perguntei, aborrecido por ver minha casa invadida por estranhos.

- Eu sou Teleco - antecipou-se, dando uma risadinha.

Mirei com desprezo aquele bicho mesquinho, de pêlos ralos, a denunciar subserviência e torpeza. Nada nele me fazia lembrar o travesso coelhinho.

Neguei-me a aceitar como verdadeira a afirmação, pois Teleco não sofria da vista e se quisesse apresentar-se vestido teria o bom gosto de escolher outros trajes que não aqueles.

Ante a minha incredulidade, transformou-se numa perereca. Saltou por cima dos móveis, pulou no meu colo. Lancei-o longe, cheio de asco.

Retomando a forma de canguru, inquiriu-me, com um ar bastante grave:

- Basta esta prova?

- Basta. E daí? O que você quer?

- De hoje em dia serei apenas homem.

- Homem? - indaquei atônito. Não resisti ao ridículo da situação e dei uma gargalhada:

- E isso? - apontei para a mulher. - É uma lagartixa ou um filhote de salamandra?

Ela me olhou com raiva. Quis retrucar, porém ele atalhou:

- É Tereza. Veio morar conosco. Não é linda?

Sem dúvida, linda. Durante a noite, na qual me faltou o sono, meus pensamentos giravam em torno dela e da cretinice de Teleco em afirmar-se homem.

Levantei-me de madrugada e me dirigi à sala, na expectativa de que os fatos do dia anterior não passassem de mais um dos gracejos do meu companheiro.

Enganava-me. Deitado ao lado da moço, no tapete do assoalho, o canguru ressonava alto. Acordei-o, puxando-o pelos braços:

- Vamos, Teleco, chega de trapaça.

Abriu os olhos, assustado, mas, ao reconhecer-me, sorriu:

- Teleco?! Meu nome é Barbosa, Antônio Barbosa, não é, Tereza?

Ela, que acabara de despertar, assentiu, movendo a cabeça.

Explodi, encolerizado:

- Se é Barbosa, rua! E não me ponha mais os pés aqui, filho de um rato!

Desceram-lhe as lágrimas pelo rosto e, ajoelhado, na minha frente, acariciava minhas pernas, pedindo-me que não o expulsasse de casa, pelo menos enquanto procurava emprego.

Embora encarasse com ceticismo a possibilidade de empregar-se um canguru, seu pranto demoveu-me da decisão anterior, ou, para dizer a verdade toda, fui persuadido pelo olhar súplice de Tereza que, apreensiva, acompanhava o nosso diálogo.

Barbosa tinha hábitos horríveis. Amiúde cuspia no chão e raramente tomava banho, não obstante a extrema vaidade que o impelia a ficar horas e horas diante do espelho. Utilizava-se do meu aparelho de barbear, de minha escova de dentes e pouco serviu comprar-lhe esses objetos, pois continuou a usar os meus e os dele. Se me queixava do abuso, desculpava-se, alegando distração.

Também a sua figura tosca me repugnava. A pele era gordurosa, os membros curtos, a alma dissimulada. Não media esforços para me agradar, contando-me anedotas sem graça, exagerando nos elogios à minha pessoa.

Por outro lado, custava tolerar suas mentiras e, às refeições, a sua maneira ruidosa de comer, enchendo a boca de comida com o auxílio das mãos.

Talvez por ter-me abandonado aos encantos de Tereza, ou para não desagradá-la, o certo é que aceitava, sem protesto, a presença incômoda de Barbosa.

Se afirmava ser tolice de Teleco querer nos impor a sua falsa condição humana, ela me respondia com uma convicção desconcertante:

- Ele se chama Barbosa e é um homem.

O canguru percebeu o meu interesse pela sua companheira e, confundindo a minha tolerância como possível fraqueza, tornou-se atrevido e zombava de mim quando o recriminava por vestir minhas roupas, fumar dos meus cigarros ou subtrair dinheiro do meu bolso.

Em diversas ocasiões, apelei para a sua frouxa sensibilidade, pedindo-lhe que voltasse a ser coelho.

- Voltar a ser coelho? Nunca fui bicho. Nem sei de quem você fala.

- Falo de um coelhinho cinzento e meigo, que costumava se transformar em outros animais.

Nesse meio tempo, meu amor por Tereza oscilava por entre pensamentos sombrios, e tinha pouca esperança de ser correspondido. Mesmo na incerteza, decidi propor-lhe casamento.

Fria, sem rodeios, ela encerrou o assunto:

- A sua proposta é menos generosa do que você imagina. Ele vale muito mais.

As palavras usadas para recusar-me convenceram-me de que ela pensava explorar de modo suspeito as habilidades de Teleco.

Frustrada a tentativa do noivado, não podia vê-los juntos e íntimos, sem assumir uma atitude agressiva.

O canguru notou a mudança no meu comportamento e evitava os lugares onde me pudesse encontrar.

Uma tarde, voltando do trabalho, minha atenção foi alertada para um som ensurdecedor da eletrola, ligada com todo volume. Logo ao abrir a porta, senti o sangue a afluir-me à cabeça: Tereza e Barbosa, os rostos colados, dançavam um samba indecente.

Indignado, separei-os. Agarrei o canguru pela gola e, sacudindo-o com violência, apontava-lhe o espelho da sala:

- É ou não é um animal?

- Não, sou um homem! - E soluçava, esperneando, transido de medo pela fúria que via nos meus olhos.

À Tereza, que acudira, ouvindo seus gritos, pedia:

- Não sou um homem, querida? Fala com ele:

- Sim, amor, você é um homem.

Por mais absurdo que me parecesse, havia uma trágica sinceridade na voz deles. Eu me decidira, porém. Joguei Barbosa no chão e lhe esmurrei a boca. Em seguida, enxotei-os.

Ainda na rua, muito excitada, ela me advertiu:

- Farei de Barbosa um homem importante, seu porcaria!

Foi a última vez que os vi. Tive, mais tarde, vagas notícias de um mágico chamado Barbosa a fazer sucesso na cidade. À falta de maiores esclarecimentos, acreditei ser mera coincidência de nomes.

A minha paixão por Tereza se esfumara no tempo e voltara-me o interesse pelos selos. As horas disponíveis eu as ocupava com a coleção.

Estava, uma noite, precisamente colando exemplares raros recebidos na véspera, quando saltou, janela adentro, um cachorro. Refeito do susto, fiz menção de correr o animal. Todavia, não cheguei a enxotá-lo.

- Sou o Teleco, seu amigo - afirmou, com uma voz excessivamente trêmula e triste, transformando-se em uma cotia.

- E ela? - perguntei com simulada displicência.

- Tereza … - sem que concluísse a frase, adquiriu as formas de um pavão.

- Havia muitas cores … o circo … ela estava linda … foi horrível … - prosseguiu, chocalhando os guizos de uma cascavel.

Seguiu-se breve silêncio, antes que voltasse a falar:

- O uniforme … muito branco … cinco cordas … amanhã serei homem … - as palavras saíam-lhe espremidas, sem nexo, à medida que Teleco se metamorfoseava em outros animais.

Por um momento, ficou a tossir. Uma tosse nervosa. Fraca, a princípio, ela avultava com as mutações dele em bichos maiores, enquanto eu lhe suplicava que se aquietasse. Contudo ele não conseguia controlar-se.

Debalde tentava exprimir-se. Os períodos saltavam curtos e confusos.

- Pare com isso e fale mais calmo - insistia eu, impaciente com as suas contínuas transformações.

- Não posso - tartamudeava, sob a pele de um lagarto.

Alguns dias transcorridos, perdurava o mesmo caos. Pelos cantos, a tremer, Teleco se lamuriava, transformando-se seguidamente em animais os mais variados. Gaguejava muito e não podia alimentar-se, pois a boca, crescendo e diminuindo, conforme o bicho que encarnava na hora, nem sempre combinava com o tamanho do alimento. Dos seus olhos, então, escorriam lágrimas que, pequenas nos olhos miúdos de um rato, ficavam enormes na face de um hipopótamo.

Ante a minha impotência em diminuir-lhe o sofrimento, abraçava-me a ele, chorando. O seu corpo, porém, crescia nos meus braços, atirando-me de encontro à parede.

Não mais falava: mugia, crocitava, zurrava, guinchava, bramia, trissava.

Por fim, já menos intranquilo, limitava as suas transformações a pequenos animais, até que se fixou na forma de um carneirinho, a balir tristemente. Colhi-o nas mãos e senti que seu corpo ardia em febre, transpirava.

Na última noite, apenas estremecia de leve e, aos poucos, se aquietou. Cansado pela longa vigília, cerrei os olhos e adormeci. Ao acordar, percebi que uma coisa se transformara no meus braços. No meu colo estava uma criança encardida, sem dentes. Morta.

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por Cássia em Sab Nov 12, 2011 8:20 pm

Adoro O Convidado. Tenho aquela edição de bolso da Companhia, mas infelizmente ainda não li.

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por lavoura em Qui Jul 12, 2012 8:33 am

Estou lendo a edição lançada pela companhia "Murilo Rubião-Obra completa".
Já li metade dos contos e gostei de todos que li. Realmente você nota o perfeccionismo do autor nos contos,durante a leitura as palavras encaixam e você percebe que foram escolhidas a dedo.
COmo os contos não são compridos, eles não cansam e é possivel você ler um ou dois quando tem um intervo pequeno de tempo e não quer deixar um capitulo de outro livro pela metade.

Uma pena a obra dele não ser maior. Mas oque ele escreveu vale a pena.
Recomendo a todos a leitura.
Gostei bastante do conto Teleco, o coelhinho, Pirotécnico Zacarias, A casa do girassol vermelho e Memórias do contrabandista não lembro o nome dele.


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Re: Murilo Rubião

Mensagem por Becco em Qui Jul 12, 2012 9:57 am



Deve ser baratinho. Deu vontade de comprar. Não conheço esse autor.

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por lavoura em Sex Jul 13, 2012 7:26 am

Lorenzo Becco escreveu:

Deve ser baratinho. Deu vontade de comprar. Não conheço esse autor.

Bondfaro a partir de R$17,00

http://www.bondfaro.com.br/livros--murilo-rubiao-murilo-rubiao-8535916741.html

Mas é com promoções de desconto progressivo consegue-se um preço menor ainda.
É um ótimo livro!

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por lavoura em Sab Jul 21, 2012 8:52 pm

Terminei ontem a leitura dos contos do Rubião.
No geral a obra é muito boa.
Alguns contos melhores doque outros. Uma pena a obra ser composta somente de 33 contos.
Mas percebe-se o fino trato que o autor tinha com seus contos, as palavras são escolhidas a dedo.

Vi que muitos comparam Rubião ao Kafka, dizendo ser ele o Kafka brasileiro. Ambos escrevem sobre realismo fantástico e os personagens tendem a aceitar as situações a que são impostos. Mas os personagem de kafka são mais sombrios e depressivos.
Já os de Rubião são mais "normais" e não tão atormentados.
Dos contos os que mais gostei foram :
Teleco, O pirotécnico Zacarias , A casa do girassol ,o Bom amigo batista e Epidólia


Tinha outros, mas não me lembro o nome de cabeça

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por Mat em Dom Jul 22, 2012 12:19 pm

lavoura escreveu:Terminei ontem a leitura dos contos do Rubião.
No geral a obra é muito boa.
Alguns contos melhores doque outros. Uma pena a obra ser composta somente de 33 contos.
Mas percebe-se o fino trato que o autor tinha com seus contos, as palavras são escolhidas a dedo.

Vi que muitos comparam Rubião ao Kafka, dizendo ser ele o Kafka brasileiro. Ambos escrevem sobre realismo fantástico e os personagens tendem a aceitar as situações a que são impostos. Mas os personagem de kafka são mais sombrios e depressivos.
Já os de Rubião são mais "normais" e não tão atormentados.
Dos contos os que mais gostei foram :
Teleco, O pirotécnico Zacarias , A casa do girassol ,o Bom amigo batista e Epidólia


Tinha outros, mas não me lembro o nome de cabeça

Posta uns trechos bons lá no tópico de quotes.

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por lavoura em Ter Jul 24, 2012 12:36 pm

Puts, isso é um negócio dificil de eu fazer. Eu não anoto trecho algum ,mesmo os que eu gosto.

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por Darth Vader em Qui Ago 30, 2012 9:37 pm

Na minha imperial opinião, o conto mais intrigante é o "Pirotecnico Zacarias". Imagine que o sujeito é tratado como morto, estando vivo e se considera vivo estando morto. Um contrasenso. Veja se é possível conformar isso na cabeça de um leitor acostumado às "realidades" da narrativa e das descrições de coisas que "aconteceram de verdade".

Rubião tem um tipo de escrita pouco convencional na literatura brasileira, aproxima-se dele, que eu conheça, o José J. Veiga e sua literatura do absurdo. Veiga é outro injustiçado pelas editoras. As edições que tenho aqui são bem antigas e não vi sequer notícias de que seus textos sejam reeditados. Uma pena porque Veiga tem contos inacreditáveis em todos os sentidos.

Rubião pelo menos tem esse "livro de bolso" e na capa o sujeito tá com A cara de Orson Welles no cidadão Kane! (risos)

Uma boa escolha de leitura.


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Re: Murilo Rubião

Mensagem por lavoura em Qui Ago 30, 2012 10:32 pm



Darth Vader escreveu:Na minha imperial opinião, o conto mais intrigante é o "Pirotecnico Zacarias". Imagine que o sujeito é tratado como morto, estando vivo e se considera vivo estando morto. Um contrasenso. Veja se é possível conformar isso na cabeça de um leitor acostumado às "realidades" da narrativa e das descrições de coisas que "aconteceram de verdade".

Rubião tem um tipo de escrita pouco convencional na literatura brasileira, aproxima-se dele, que eu conheça, o José J. Veiga e sua literatura do absurdo. Veiga é outro injustiçado pelas editoras. As edições que tenho aqui são bem antigas e não vi sequer notícias de que seus textos sejam reeditados. Uma pena porque Veiga tem contos inacreditáveis em todos os sentidos.

Rubião pelo menos tem esse "livro de bolso" e na capa o sujeito tá com A cara de Orson Welles no cidadão Kane! (risos)

Uma boa escolha de leitura.


Veiga se aproxima até que ponto do Rubião?
E sobre outros mestres do surrealismo, oque indicaria?
Continue a postar por aqui, li seu tópico de literatura periférica e tinha bons argumentos lá!
O fórum precisa de pessoas como você.

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por Darth Vader em Sex Ago 31, 2012 10:36 am

lavoura escreveu:

Veiga se aproxima até que ponto do Rubião?
E sobre outros mestres do surrealismo, oque indicaria?
Continue a postar por aqui, li seu tópico de literatura periférica e tinha bons argumentos lá!
O fórum precisa de pessoas como você.


lavoura,
O fórum já tem as pessoas que você precisa. Gostaria muito de ser disciplinado o bastante para acompanhar - e participar ativamente de - todas as discussões daqui. Um dia, quem sabe?

As aproximações entre Veiga e Rubião serviriam de tema para inúmeros estudos. A meu ver, um dos contatos entre eles está na interpretação metafórica da realidade que beira o absurdo em Veiga e o contraditório da subjetividade em Rubião (uma nota interessante sobre o texto de Rubião: as epígrafes são extraídas de textos religiosos, biblícos - como associar, por exemplo, a manifestação do religioso em "Teleco, o coelhinho"?). Sobre Veiga, eu poderia apenas sugerir (sendo injusto com tantos outros) o conto "A usina atrás do morro" e a angústia de ter seu território familiar invadido por algo indescritivel que mata e assusta, permanecendo escondido e misterioso. O que seria, na minha opinião, uma referência à invasão da modernidade/cidade na vida de pessoas simples.

Sobre o "surrealismo" não tenho certeza. José Paulo Paes tem um ensaio "O surrealismo na literatura brasileira" que compõe o livro "Armazém literário" e lá encontramos uma dúvida sobre a existência de um movimento nos moldes idealizados por Breton aqui no Brasil. O que talvez exista são influxos, interesses vagos, que aproximariam certas expressões com o Surrealismo francês. Paulo Paes cita a presença surrealista em textos de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Murilo Mendes, Augusto dos Anjos, João Cabral e outros. Não cita J.J. Veiga, mas faz um destaque à prosa de Murilo Rubião como exemplo de realismo mágico (e não surrealismo) que anteciparia aqui no Brasil os tipos de Kafka, Borges, Cortázar e Garcia Márquez.

Pra mim, só encontro surrealismo em Bunuel e Salvador Dali.


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Re: Murilo Rubião

Mensagem por Becco em Sex Ago 31, 2012 12:06 pm

Darth, és formado em Letras ou está cursando?

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por Mat em Sex Ago 31, 2012 12:19 pm

Lorenzo Becco escreveu:Darth, és formado em Letras ou está cursando?

Meu professor.

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por lavoura em Sex Ago 31, 2012 12:41 pm

Me expressei de forma errada colocando o tema como surrealismo.
Na verdade os autores que tenho interesse, pertencem ao realismo mágico.
Kafka, Cortázar, Borges, Bioy Casares. E autores que tratem de tema parecido. Deste estilo literário não li muita coisa. Só o Rubião e alguns do Kafka. Mas já tenho alguns livros na minha estante, como Cem anos de Solidão, O jogo da Amarelinha, A guerra dos porcos e Histórias Fantásticas do bioy.
As epígrafes biblicas do Rubião casam realmente com o texto. Vi alguns artigos que as pessoas o chamavam de Kafka Cristão. Mas tirando as epígrafes não vi refêrencias implícitas em sua obra.
Aliás, no site do Murilo(www.murilorubiao.com.br) tem as cartas escritas por ele e as recebidas também. Um dos correspondentes do Murilo era justamente Mário de Andrade. Foi lançado até um livro com as correspondências

Valeu pelas dicas.
Procurarei esse conto do Veiga e alguns outros.



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Re: Murilo Rubião

Mensagem por Darth Vader em Sex Ago 31, 2012 9:04 pm

Mat escreveu:
Lorenzo Becco escreveu:Darth, és formado em Letras ou está cursando?
Meu professor.

Formado em Letras Port/Ingl com muito gosto.
E... sim, professor do Mat.

lavoura,
Fique atento que alguns teóricos aplicam "realismo mágico" apenas para textos latinoamericanos, e desse modo, Kafka fica de fora (uma redundância, desculpe-me).

Não sei em que medida o religioso se apresenta em Rubião. Talvez exista apenas as epigrafes e ele esteja se referindo a outra coisa, ou seja uma ironia... não sei. Mas não vejo muita relação com a doutrina religiosa, não. E Kafka cristão... tsc, tsc, tsc, pra mim é pouco demais.

O livro do Veiga que tem o conto que te falei chama-se "Cavalinhos de Platiplanto". Boa leitura.


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Re: Murilo Rubião

Mensagem por lavoura em Qua Set 05, 2012 3:33 pm

Darth Vader escreveu:
Mat escreveu:
Lorenzo Becco escreveu:Darth, és formado em Letras ou está cursando?
Meu professor.

Formado em Letras Port/Ingl com muito gosto.
E... sim, professor do Mat.

lavoura,
Fique atento que alguns teóricos aplicam "realismo mágico" apenas para textos latinoamericanos, e desse modo, Kafka fica de fora (uma redundância, desculpe-me).

Não sei em que medida o religioso se apresenta em Rubião. Talvez exista apenas as epigrafes e ele esteja se referindo a outra coisa, ou seja uma ironia... não sei. Mas não vejo muita relação com a doutrina religiosa, não. E Kafka cristão... tsc, tsc, tsc, pra mim é pouco demais.

O livro do Veiga que tem o conto que te falei chama-se "Cavalinhos de Platiplanto". Boa leitura.


Pois é, andei lendo alguns artigos e muitos consideram realismo mágico só para latinosamericanos devido o surgimento ter ocorrido por "aqui".

Um autor que para mim tem muito do "realismo mágico" é o Italo Calvino,mas pesquisei e tem várias opniões contraditórias a respeito disto, uns o consideram alguns de seus textos como realismo mágico e outros como conto maravilhoso.

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por Cássia em Sab Set 08, 2012 11:36 am

Estou lendo agora o Obra Completa. Ainda não cheguei na fase de procurar "um sentido" pros contos do Rubião. Em alguns deles, certo sarcasmo fica explícito, mas... Não sei, eu leio mais por diversão. É o tipo de estilo que me fascina. Não sei se é possível dizer isso, mas acho o universo criado em cada conto impregnado de certo onirismo. Parece mesmo um sonho: faz sentido e não faz sentido.

Sobre o estilo do cabinha, gosto desse trecho do prefácio que elucida até certo ponto:

O crítico búlguro Tzvetan Todorov faz uma das distinções mais aceitas atualmente no meio literário ao contrapor o fantástico ao maravilhoso. Este último pressupõe a aceitação de outra realidade, com regras próprias e muito diferentes das nossas. É o caso, por exemplo, dos contos de fadas. Já o fantástico seria "uma hesitação experimentada por uma criatura que não conhece senão as leis naturais, perante um acontecimento sobrenatural". De acordo com essa explicação seria possível encontrar explicações racionais para o inusitado. [...]Infelizmente, [...] essa distinção de Todorov não abarca o fantástico tal como ele aparece na obra de Murilo Rubião, pois um dos aspectos mais impactantes de seu trabalho é a falta de hesitação dos personagens e dos narradores diante das situações fantásticas.

Agora, o que me deixa com uma dúvida profunda é que eu também não vejo essa hesitação nos personagens de O Processo, por exemplo.

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por Darth Vader em Ter Set 18, 2012 8:54 pm

A dica é exatamente essa: ler por diversão! Outras coisas vão surgir com o tempo, não tem como escapar (eu não consegui).

Talvez Kafka não seja o fantástico que Todorov sugere. Em minhas leituras de Metamorfose, O processo e O castelo sou confrontado com o absurdo sem qualquer tipo de explicação. Lá está o acontecimento e ponto.

Terminologias variam muito a depender do sujeito e do endereço. E não se pode limitar a arte e a literatura em caixinhas com rótulos agradáveis. A literatura é escorregadia. Entendo assim.


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Re: Murilo Rubião

Mensagem por lavoura em Seg Fev 18, 2013 12:21 pm

Esse final de semana reli alguns contos do Rubião. Também lia por diversão. Mas essa segunda leitura me fez perceber um clima de amor e solidão além do humor nos contos que não havia percebido antes.
Reli alguns ocntos porque sábado veio para a cidade a peça "O amor e outros estranhos Rumores" que adapta três contos do Rubião: Memórias do Contabilista pedro inácio , Os três nomes de godofredo e Bárbara. A peça é muito bem adaptada e vemos várias referências de outros contos ao longo da peça. Temos no fundo girassóis vermelhos, que provavelmente é referência ao "A casa do girassol vermelho".
A peça começa com os três protagonistas em uma estação ferroviária que é uma espécie de Limbo onde eles não sabem para onde ir e não consegue-se sair de lá. Além de esperar um trem que nunca parte da antepenúltima estação.
Temos também o Teleco, o coelhinho. Nela ele é um mero coadjuvante que ajuda com cenários e objetos para os contos. A máscara lembra bastante o coelho do Donnie Darko.

Após essa apresentação e confusão dos personagens a peça começa com o conto "Memórias do contabilista Pedro inácio", quem interpreta o papel é a Débora Falabella, aliás ela participa de uns 6 personagens na obra.
Depois seguimos com "Os três nomes de Godofredo" e seu drama com as mulheres e por último o conto "Bárbara" da mulher que só faz pedidos e engorda conforme esses são realizados.


Muito bom! Foi a primeira peça de "adultos" que assisti e gostei bastante. Além de tudo foi grátis. O único contra foi que tive que chegar as cinco e meia para assistir a peça que começaria as sete da noite por conta de pegar os ingressos que estariam disponíveis a partir das seis da tarde e quase fico sem! Acabei sentando na penúltima fileira, mas valeu a pena.

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por Gourmet em Seg Fev 18, 2013 6:33 pm

Eu sempre imagino os contos do Rubião como desenhos animados psicodélicos com alguma música meio progressiva do Pink Floyd tocando ao fundo, numa vitrola velha.

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Re: Murilo Rubião

Mensagem por Oric em Ter Abr 30, 2013 6:20 pm

Não me lembro de ter ouvido falar desse autor antes de entrar aqui no fórum. Mas fiquei muito curioso pelos comentários aqui, pelas comparações com o Kafka e também o fato de ficar reescrevendo esses 33 contos ao longo da vida.

Essa peça que você assistiu parece ter sido muito boa, Lavoura.

Essa imagem do Gourmet ficou muito interessante. Laughing Vou ler alguma coisa dele ouvindo Pink Floyd.

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Re: Murilo Rubião

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